Na madrugada de 18 de julho de 1975, o Paraná enfrentou um dos eventos climáticos mais severos de sua história agrícola: a geada negra. Com temperaturas extremamente baixas e ventos intensos, a geada queimou os cafezais de dentro para fora, destruindo plantações inteiras em questão de horas.
O impacto foi imediato e profundo. Pois, famílias perderam sua fonte de sustento, cidades viram sua principal atividade econômica desaparecer da noite para o dia e a economia do estado entrou em choque. Além disso, o Brasil, que até então era o maior produtor de café do mundo, precisou redesenhar sua estrutura produtiva.
O que é a geada negra?
Diferente da geada branca, que forma cristais de gelo visíveis, a geada negra ocorre quando a temperatura cai bruscamente e o ar seco congela a seiva das plantas de dentro para fora, sem formação de gelo aparente. O nome “negra” vem do escurecimento das folhas e galhos após o congelamento, como se tivessem sido queimados. No caso do café, esse tipo de geada é especialmente destrutivo, pois mata a planta inteira, e não apenas a safra.
Antes da geada negra o Paraná era potência cafeeira
Na década de 1970, o Paraná era o maior produtor de café do Brasil. Estima-se que o estado concentrava cerca de 50% da produção nacional, com plantações que ocupavam mais de 1 milhão de hectares, especialmente nas regiões norte e noroeste.
Um dos segredos por trás desse protagonismo era a terra roxa ou vermelha, que recebeu esse novo devido à presença do tom avermelhado da rocha basáltica, além de ser rica em minerais como ferro e potássio. Esse tipo de solo, abundante no norte do estado, é altamente fértil e ideal para a produção de café, favorecendo o crescimento saudável dos cafeeiros. Dessa forma, diferentes cidades giravam em torno da produção de café e o setor era responsável por gerar emprego, renda e desenvolvimento para milhares de famílias.
Mas com a geada negra, cerca de 80% dos cafezais foram perdidos. O evento foi tão devastador que muitas propriedades nunca mais voltaram a plantar café.
O presente do café paranaense
Passadas cinco décadas, o Paraná não figura mais entre os maiores produtores do país, hoje liderados por Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo. Ainda assim, o café paranaense continua sendo cultivado em regiões específicas, com destaque para a qualidade e não mais apenas para a escala.
Produtores se especializaram em cafés especiais, com altitudes que favorecem maturação lenta e grãos mais densos, características que elevam a doçura e a acidez dos cafés. Por isso, compreender o impacto da geada negra é fundamental para valorizar a resiliência dos produtores que permaneceram, e de uma cultura que continua viva, mesmo que em menor escala.
E se você quiser experimentar um café produzido em solo paranaense, vale a pena conhecer o Café Norte Pioneiro do Paraná, da Linha Seleções. Com notas de caramelo, chocolate e açúcar mascavo, os grãos resultam em uma bebida com acidez equilibrada e doçura acentuada.